04/03/2008 - Pedreira Paulo Leminsky - Curitiba/PR
“Pra começar, pode soar estranho uma resenha sobre um show de metal aqui no Zona Punk, mas acredito que o Iron Maiden está acima destes rótulos. Ok, é uma banda de heavy metal, talvez a maior delas em atividade, mas é um clássico, e contra os clássicos, não há argumentos.
Já havia visto o Iron Maiden em outras duas ocasiões, mas esta seria diferente. A “Somewhere Back In Time Tour” é peculiar por abordar uma fase peculiar da carreira do grupo, que corresponde lógicamente à sua fase áurea, baseando o show (com exceções) na tour que originou o disco ao vivo “Live After Death”, e que inclusive fez história na primeira edição do Rock IN Rio por aqui, no já bem distante ano de 1985.
Talvez por conta destas peculiaridades, uma empolgação e desespero nunca antes vistos, assolou a vinda da banda ao Brasil, causando assim uma corrida louca aos ingressos e uma expectativa inédita.
Não pude evitar de ser contaminado, e aquele espírito saudosista me venceu. Lembrei-me dos posters na parede do quarto quando adolescente, os videos assistidos na porta da loja Woodstock em São Paulo/SP, os vinis, o eddie, a máscara egípcia, e lá fui eu.
Show na Pedreira Paulo Leminsky, não tem jeito, tenho que encarnar o Gonzo, pois é uma aventura a parte, ainda mais com mais de 20.000 headbangers em minha volta.
Ao contrário do que eu poderia imaginar, a coisa estava tranquila. Claro, haviam os tipos engraçados, metaleiros de couro e cinto de bala, bebendo conhaque no gargalo, num calor infernal, mas se não tivesse esses tipos, não teria graça.
O Iron Maiden é sem dúvida a banda mais popular do gênero, e nivela todas as classes. Rico, pobre, branco, negro, homem e mulher, todos (leia bem, TODOS) de camiseta preta da banda, marchando para dentro da Pedreira, sem distinção. Seria essa ‘nação metal’ que o Sepultura sonhava criar ao lançar o conceito do disco “Nation”? Enfim.
Pedreira lotada, e quando eu entrei a tal filha do Steve Harris já havia feito seu show de abertura. Quem viu, disse que não fedeu, nem cheirou. O som era um hard rock pop oitentista, e ela, uma gostosa. OK, próxima.
Sem atraso, 21:00, a Donzela De Ferro entra em cena.
A dobradinha inicial com “Aces High” e “2 Minutes To Midnight” foi covarde, fez com que este que vos escreve quisesse ter 14 anos novamente.
Se você gosta do Iron, já deve ter lido por ai (ou foi ao show) e sabe como foi o espetáculo, mas é valido citar os detalhes, pois estes sim, fizeram a diferença. Por exemplo, emocionante o palco na hora de “The Trooper”, com Bruck Dickinson com a bandeira inglesa, e o palco egípcio dando espaço à imagem da capa do single da canção. Emocionante também Dickinson e a inconfundível máscara egípicia que ele usou durante os shows dos anos 80 durante a música “Powerslave”.
As faixas foram tocadas uma atrás da outra, sem delongas, e parecia que você estava ouvindo uma coletânea de greatest hits, e até a manjadíssima “Fear Of The Dark” - deslocada no set-list e na temática do show - caísse bem naquele momento.
Tudo foi maravilhosamente bem executado, fielmente, igualzinho às gravações de estúdio, com uma ou outra sutil mudança, no caso, apenas aperfeiçoando algum detalhe.
Clássicos e mais clássicos. Aquelas que você ouviu em vinil, que assistia as fitas vhs e jamais imaginaria ver ao vivo sendo executadas daquela forma. Além das já citadas, tivemos “The Number Of The Beast”, “Monnchild”, “Run To The Hills”, “Wasted Years”, “Rime of the Ancient Mariner”, “Revelations”, “Heaven Can Wait”, “Iron Maiden” (com direito ao Eddie no palco, o da capa do “Somewhere In Time”) “Clairvoyant” e fechando com “Hallowed Be Thy Name”. Histórico.
O show teve duas horas exatas de duração, mas pareceram 15 minutos.
Por 15 minutos, ou por duas horas, enfim, enquanto durou esta viagem no tempo, tive a certeza que algumas bandas estão acima do bem e do mal, e o Iron é uma delas.
Para quem não pode presenciar o histórico show de 85, este foi um prêmio de consolação mais do que merecido, e nem me importaria de ser taxado de “metaleiro” como a globo fez com o público do Maiden nos 80s.
Viva a adolescência. Reviva as revistas horríveis de metal dos anos 80. Up The Irons!”
Texto de Wladimyr Cruz
Faço destas minhas palavras com exceção da parte em que ele cita a filha do Harris, mais do que “nem fedeu nem cheirou”, achei ela uma bosta.
Fonte: zonapunk
Posted by the girl
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