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26
Mar

Elizabeth Bathory

Erzsébet Báthory (em húngaro) ou Elizabeth Báthory (agosto de 1560 - 21 de agosto de 1614), foi uma condessa que entrou nos anais da História pela sua crueldade e sadismo. Responsável pela tortura e assassinato de inúmeras servas, foi cognominada de Condessa Drácula. O seu local de nascimento fazia então parte do Reino da Hungria, território hoje pertencente à República Eslovaca. A maior parte de sua vida adulta foi passada no Castelo Cachtice, perto da cidade de Vishine, a nordeste do que é hoje Bratislava, onde a Áustria, a Hungria e a Eslováquia se juntam.

Bathory cresceu numa era em que a maior parte da Hungria tinha sido conquistada pelas forças turcas do Império Otomano, sendo o campo de batalha entre exércitos da Turquia e da Áustria (Habsburgo). A área também ficou dividida por diferenças religiosas. A família de Bathory se juntou à nova onda de protestantismo que fazia oposição ao catolicismo romano tradicional. Foi criada na propriedade da poderosa família Bathory em Ecsed, na Transilvânia. Quando criança, era sujeita a doenças repentinas, acompanhadas de intenso rancor e comportamento incontrolável. Em 1571, seu primo Stephen tornou-se príncipe da Transilvânia e, mais tarde na mesma década, ascendeu ao trono da Polônia. Foi um dos regentes mais competentes de sua época, embora seus planos para a unificação da Europa contra os turcos fossem frustrados em virtude dos esforços necessários para combater Ivan, o Terrível, que cobiçava o território de Stephen.

Elizabeth era senhora de uma grande beleza, apenas igualável pela sua extrema vaidade. Aos onze anos ficou noiva do Conde Ferenc Nadasdy, passando a viver, de acordo com a tradição, no castelo dos Nádasdy, em Sárvár, Em 1574, Elizabeth engravidou como resultado de um breve affaire com um camponês. Quando sua condição se tornou visível, foi escondida até a chegada do bebê. O casamento ocorreu em maio de 1575. O Conde Nadasdy era soldado e ficava fora de casa, freqüentemente, por longos períodos. Nesse meio tempo, Elizabeth assumia os deveres de cuidar dos assuntos do Castelo Sarvar, de propriedade da família Nadasdy. Foi aí que suas tendências sádicas começaram a revelar-se - com o disciplinamento de um grande contingente de empregados, principalmente mulheres jovens.

Num período em que o comportamento cruel e arbitrário dos detentores do poder para com os criados era coisa comum, o nível de crueldade de Elizabeth era notório. Ela não apenas punia os que infringiam seus regulamentos, como também encontrava todas as desculpas para infligir castigos, deleitando-se na tortura e na morte de suas vítimas. Espetava alfinetes em vários pontos sensíveis do corpo das suas vítimas, como, por exemplo, sob as unhas. No inverno, executava suas vítimas fazendo-as se despir e andar na neve, despejando água gelada nelas até morrerem congeladas.

O marido de Elizabeth juntava-se a ela nesse tipo de comportamento sádico e até ensinou-lhe algumas modalidades de punição. Mostrou-lhe, por exemplo, uma variação desses exercícios de congelamento para o verão: despia uma mulher e a cobria com mel, deixando-a à mercê dos insetos. Ele morreu em 1604 e Elizabeth mudou-se para Viena após o seu enterro. Passou também algum tempo em sua propriedade de Beckov e no solar de Cachtice, ambos localizados onde é hoje a Eslováquia. Esses foram os cenários de seus atos mais famosos e depravados.

Nos anos que se seguiram à morte do marido, a companheira de Elizabeth no crime foi uma mulher de nome Anna Darvulia, de quem pouco se sabe. Quando Darvulia adoeceu, Elizabeth se voltou para Erzsi Majorova, viúva de um fazendeiro local, seu inquilino. Majorova parece ter sido responsável pelo declínio final de Elizabeth, ao encorajá-la a incluir algumas mulheres de estirpe nobre entre suas vítimas. Em virtude de estar tendo dificuldade para arregimentar mais jovens como servas à medida que os rumores sobre suas atividades se espalhavam pelas redondezas, Elizabeth seguiu os conselhos de Majorova. Em 1609, ela matou uma jovem nobre e encobriu o fato dizendo que fora suicídio.

No início do verão de 1610, tiveram início as primeiras investigações sobre os crimes de Elizabeth. Todavia, o verdadeiro objetivo das investigações não era conseguir uma condenação, mas sim confiscar-lhe os bens e suspender o pagamento da dívida contraída ao seu marido pelo rei. Elizabeth foi presa no dia 26 de dezembro de 1610. O julgamento teve início alguns dias depois, conduzido pelo Conde Thurzo. Uma semana após a primeira sessão, foi realizada uma segunda, em 7 de janeiro de 1611. Nesta, foi apresentada como prova uma agenda encontrada nos aposentos de Elizabeth, a qual continha os nomes de 650 vítimas, todos registrados com a sua própria letra. Seus cúmplices foram condenados à morte, sendo a forma de execução determinada por seus papéis nas torturas. Elizabeth foi condenada à prisão perpétua, em solitária. Foi encarcerada num aposento do castelo de Cachtice, sem portas ou janelas. A única comunicação com o exterior era uma pequena abertura para a passagem de ar e de alimentos. A condessa permaneceu aí os três últimos anos de vida, tendo falecido em 21 de agosto de 1614. Foi sepultada nas terras de Bathory, em Ecsed.

No julgamento, não foram apresentadas provas sobre as torturas e mortes, baseando-se toda a acusação no relato de testemunhas. Após sua morte, os registros de seus julgamentos foram lacrados, porque a revelação de suas atividades constituiriam um escândalo para a comunidade húngara reinante. O Rei húngaro Mathias II proibiu que se mencionasse seu nome nos círculos sociais. Não foi senão cem anos mais tarde que um padre jesuíta, Laszlo Turoczy, localizou alguns documentos originais do julgamento e recolheu histórias que circulavam entre os habitantes de Cachtice, onde ficava o castelo de Elizabeth. Turoczy incluiu um relato de sua vida no livro que escreveu sobre a história da Hungria. Seu livro sugeria a possibilidade de Elizabeth ter-se banhado em sangue. Publicado durante o ano de 1720, o livro surgiu durante uma onda de interesse pelo vampirismo na Europa oriental. Escritores posteriores retomariam a história, acrescentando alguns detalhes. Duas histórias ilustram as lendas que se formaram em torno de Elizabeth, apesar da ausência de registros jurídicos sobre sua vida e das tentativas de remover qualquer menção a ela na história da Hungria:

  • Diz-se que certo dia a condessa, já sem a frescura da juventude, estava sendo penteada por uma jovem criada, quando esta puxou seus cabelos acidentalmente. Elizabeth virou-se para ela e a espancou. O sangue espirrou e algumas gotas caíram em sua mão. Ao esfregar o sangue, pareceu-lhe que estas rejuvenesciam. Foi após esse incidente que passou a banhar-se no sangue de humanos.
  • Uma segunda história refere-se ao comportamento de Elizabeth após a morte do marido, quando se dizia que ela se envolvia com homens mais jovens. Numa ocasião, quando estava em companhia de um desses homens, viu uma mulher de idade e perguntou a ele: “O que você faria se tivesse de beijar aquela bruxa velha?”. O homem respondeu com palavras de desprezo. A velha, entretanto, ao ouvir o diálogo, acusou Elizabeth de excessiva vaidade e acrescentou que a decadência física era inevitável, mesmo para uma condessa. Diversos historiadores têm relacionado a morte do marido de Elizabeth e esse episódio com seu receio de envelhecer.
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26
Mar

Punk Rock


 

O sonho havia acabado, e foi duro acordar dele e deparar com um mundo, onde o jovem sequer tinha o que sonhar. Este foi o mundo mostrado tão magnificamente pela sétima arte, por Kubrick, em A Laranja Mecânica. Que soco, que podre, que horror, era preciso correr, tudo ficou dark, punk e skinhead, e de repente, sem submarino.

Punk foi o movimento de estilo jovem, que nasceu em 1977, em Londres. A palavra significa podridão, sujeira, insanidade. O movimento levantou a bandeira da desilusão, sendo seu lema: No future. Surgiu durante a crise econômica inglesa da década de 70, com o desemprego e as novas formas de pobreza. Existe até hoje e é movimento típico de países ricos que não abrem espaço para absorver a jovem mão-de-obra com pouca escolaridade e baixo nível tecnológico.
Para os roqueiros, os Beatles, com seus ternos de veludo e peito rendado, queriam parecer doces e pacíficos. Os Rolling Stones eram a imagem da violência e dos que se opunham, por princípio, a tudo; eram jovens de Blusão Negro e camisa fosforescente, que promoviam quebra-quebra. A comunidade dos Blusões Negros era o símbolo da união dos grupos de jovens e representava a vida em bando, nos grandes centros urbanos.


Bollon (1993) lembra que o uso dos casacos negros de couro significava que seu usuário, com ele ,defendia o próprio couro como se defende a própria vida. Não se pode roubar um couro, pode-se recuperar ou tirar, arranjar ou despojar de alguém que não esteja usando ou não saiba se defender. Sob esta roupa se esconde uma ideologia, a da solidariedade e do reconhecimento no seio do bando e sinaliza, publicamente, para a representação da violência e da agressividade, que tanto pode ser pública como privada, guardada para usar no universo fetichista da sexualidade Perv. É deste universo agressivo que brota o mundo Punk.

 

Este grupo adotou um traje anárquico, louco, desesperado e rasgado e destruído. O vestuário Punk era um traje-cenário: botas de couro, correntes e tatuagem. O couro é o material nobre para o vestuário deste grupo. Como a pele é o couro de cada um, assim como se estampa um tecido ou camiseta, a própria pele que deve ser estampada em forma de tatuagem; é na pele que se sofre, onde estão os hematomas, por isso, a roupa-pele é rasgada: o hematoma da roupa. A agressividade do grupo é extensiva ao corpo de cada membro dele.

A grande revolta dos punks é a falta de oportunidade de inserção no universo social de classe média, gerada pela dificuldade de inserção no mercado de trabalho, isto é, o desemprego.

Consideram que roupa não é ideologia e que não andariam com um “pala boa” porque é traje de gente que ganha dinheiro sem esforço.

Desde o seu começo, o rock tem fomentado impactos, choques, modas, estilos, comportamentos, políticas, revoluções, idéias de declínio e guinada, além de música e dança. Para suas guinadas, o rock conta sempre com a energia dos adolescentes. Basta uma geração ter completado sua missão ou ter dado seu recado, para que outra reação surja com outra proposta.

Uma das grandes guinadas do rock aconteceu em 76, com o movimento punk. Depois de passado o impacto inicial, com a imagem mais desagradável de toda a história popular universal e sob apavoradas pressões de todos, sucumbiu ao peso da própria audácia, mas não morreu. (?)

Vistos como marginais, drogados, sadomasoquistas, assaltantes mirins, travestis, prostitutos adolescentes, sonhadores entre outras merdas mais (maldito mainstream!). Se o mundo do adulto é confuso, não se pode cobrar coerência política do mundo punk, mesmo porque se trata de um movimento de revolta do adolescente, insatisfeito com tudo. Invocam o espírito de mudança. Não é só uma cultura visual ou musical, é também uma crítica e um ataque frontal a uma sociedade exploradora, estagnada e extravagante nos seus próprios vícios.

Mais revolução de estilo, que movimento político, mais sentimento que consciência, o movimento tem, como primeira regra, que não existe regra, ser punk é quebrar regras e não criá-las, é não se preocupar em usar a roupa certa ou dizer os clichês certos, é pensar e se expressar por si, e em grupo, é claro.

Depois de Elvis e dos Beatles, não existiu nada mais contestador, anárquico e subversivo dentro do rock. Existe uma briga pela paternidade do estilo entre americanos e ingleses. Na verdade o movimento nasceu nos Estados Unidos, inspirado nas bandas MC%, Stooges e Velvet Underground. (?)

Em vez da paz e do amor pregados pelos movimentos hippies, essas bandas incendiavam Nova Iorque com um estilo forte, contagiante e sem padrão préestabelecido. Em 1974, a casa noturna nova-iorquina CBGB abria suas portas e por lá passaram Ramones, Patti Smith, The Pretenders. A cena americana era mais musical do que comportamental, não chegou a influenciar a moda ou a quebrar os padrões da sociedade conservadora, era apenas um novo estilo musical, que estava sendo criado, aparentemente, sem que as pessoas percebessem.

Na Inglaterra, o estilo chegou no final do ano seguinte. Milhares de desempregados perambulavam pela periferia londrina sem ter o que fazer; costumavam se reunir numa loja de produtos sadomasoquistas, chamada Let it Rock, de propriedade do empresário Malcom McLaren. Correntes, couro, pregos e outros produtos usados por casais, dentro de quatro paredes, acabaram inspirando a moda punk. (que maravilha, isso ajuda em muito o preconceito atual!)

Falta de perspectiva profissional, desemprego, injustiça social, tudo era um prato cheio para criar um novo estilo, mas faltava algo para o gênero estourar. McLarem, depois de uma ida a Nova Iorque, a negócios, voltou encantado com o que viu. Steve Jones e Glen Matlock, freqüentadores da loja, haviam assistido ao show dos Ramones na Inglaterra, no final de 75, e chamaram o amigo Paul Cook para assumir a bateria. Conseguiram também um vocalista feio, com dentes estragados, que não sabia cantar e usava uma camiseta com os dizeres I Hate Pink Floyd (eu odeio Pink Floyd) e o Sex Pistol estava formado.

A banda mexeu com todos os padrões conservadores ingleses. Apareciam bêbados ou drogados em público, xingavam a rainha em frente das câmeras de tv, pregavam o caos e a anarquia nas letras. Na cola dos Pistols, vieram The Clash, Vibrators, Sham 69, UK Subs. Cuspir nos ídolos durante os shows tornou-se um fato curioso e freqüente da platéia punk. Uma explicação para isso é que as bandas que faziam sucesso nos anos 60/70 acabaram virando uma espécie de semideuses. As pessoas não podiam chegar perto dos popstars. Com os grupos punk era diferente, quem estava encima do palco era um jovem igual aos que estavam na platéia.

Na década de 80, o estilo começou a perder força no mundo inteiro. O choque da contestação já havia sido assimilado pelas pessoas, e os punks de butique começaram a surgir. Alguns grupos que tentavam manter o espírito vivo, pregavam o seu não fim com o slogan punk’s not dead. Nos anos 90, uma nova geração de punk acabou surgindo, sem a mesma ideologia, sem o mesmo espírito de desordem, mas com as mesmas raízes, dentro de três acordes.

O Straight Edg

O cenário punk abriga diferentes comunidades. Monteiro (1999) fala da comunidade SXE que surgiu num momento em que, a cena punk, segundo eles, estava intoxicada, estúpida, contraditória, presa num pensamento do tipo o “mundo estava acabado, não há futuro”. O Straight Edg, ou SXE é um movimento de protesto contra todo esse negativismo, uma alternativa para aqueles que estavam dormindo em cima do próprio vômito.

Por causa do X, tatuado nas mãos, as bandas SXE, inicialmente, eram chamadas de fascistas onde tocavam. Porém, a maioria dos seguidores do estilo SXE não se interessa por nada que aconteça fora de sua comunidade, pelas coisas que afetam a vida das pessoas comuns. Suas bandas ignoram temas políticos e preferem escrever sobre temas infantis, relações amorosas, conflitos pessoais e amizades que se perdem e fazem debandar os membros da tribo.

Líderes de bandas SXE afirmam que o movimento ainda pode ser uma saída para uma juventude fraca, que celebra o uso das drogas como forma de rebeldia, podendo mudar a vida de muitas pessoas.

Para eles, não se pode deixar que algo tão bom passe a imagem de bondade e pureza só dentro de uma comunidade, existindo milhares do pessoas livres de vício, que se esforçam para que existam mudanças que não ficam em casa ouvindo um Cd de uma banda de moleques, que voltarão a beber assim que terminarem o colegial ou tiverem que encarar o primeiro problema que surgir nas suas vidas.

Um SXE hardcore se define como pessoa que busca se livrar de todo tipo de vício adquirido na sociedade atual, como drogas, álcool, cigarros, hipocrisias. Acreditam que o mundo pode mudar com pequenos gestos de solidariedade e altruísmo, transformando-se em um lugar, onde seres humanos possam desfrutar do prazer integral da natureza.

Os SXE vestem-se com roupas de matéria que venha das plantas, que sejam confortáveis e simples, para não serem notados pela sociedade consumista, porque acreditam que não há necessidade de vestir roupa de grife para ser feliz. Não vestem roupas de couro de animais. Não andariam com gente que veste roupa de couro e que usa roupa que dá status.

Têm como lema: se você não quer ser parte do problema, seja parte da solução; antes de mudar o mundo mude você mesmo, combatendo mitos que valorizam o individual, incentivando a ação coletiva e pensando na natureza como conjunto. Dizem–se apolíticos, porém acreditam que é tarefa do homem lutar contra o capitalismo, fora das atitudes individuais; acreditam na necessidade de educar e mobilizar a classe trabalhadora; lutam contra aborto, pelo direito à vida. Pro Life é o nome de seu movimento religioso.

Propõem uma nova ética: as vidas dos animais são só deles e devem ser respeitadas; têm também como lema rejeitar a falsidade antropocêntrica, que mantém a hierarquia opressiva da humanidade sobre os animais: é hora de libertá-los.

Em 1999, (Monteiro:183) quando pesquisava os movimentos de moda que repudiavam o uso do couro, falou com uma vocalista de uma banda SXE que lhe disse:

Na fábrica, na fazenda e no laboratório: laticínios, ovos e carnes, camurça, lã e couro são os produtos finais da tortura, confinamento e assassinato, renunciando seu uso em reverencia a toda vida inocente. O direito da vida selvagem de viver em paz, em seu ambiente natural sem, interferência dessa civilização, não pode mais ser negado.

Para eles, tornar uma cultura digna de ser chamada civilizada exige que se acabe com a crueldade. O veganismo é a essência da compaixão a da vida pacífica. O SXE é uma militância política, que combate todas as formas de exploração, um caminho para a mudança coletiva através da mudança individual. Acredita que, para a formação de uma sociedade justa, as pessoas devem se abster de intoxicantes e de produtos animais.

Ray, vocalista da banda Shelther, falou, em entrevista, para a revista Leberation, em janeiro de 1997, usada com referência pelo grupo, e também, por Monteiro (1999),…Meu Deus! Esse mundo é um lugar ferrado! Temos que fazer algo! Enquanto isso outras pessoas ficaram vendo tv, jogando futebol”. Colocou que o pessoal da cena punk estava muito consciente de que o mundo estava desmoronando e que era preciso fazer alguma coisa: “punk” deve significar reformas e melhorias, deve ver o que está errado e tentar consertar. Diz que quando bandas só falam de namoradas e de coisas estúpidas, mesmo que tenham cabelos vermelhos ou moicanos, parecem-se, mas não são punks, são “mainstream” e perdem a identidade para encontrar abrigo. Temos que encontrar abrigo em algo que não nos iluda, podemos nos fantasiar de “rap” ou “rave” para ir a uma festa, mas não encontraremos guarida.

Essa entrevista tornou-se como hino do veganista, e foi citada infinitas vezes por eles para lembrar que Day diz ser favorável à comunicação (as mídias) porque quer ver as pessoas unidas e que elas, ao invés de condenar, devem-se encorajar a garotada para que sejam sinceros e desprendidos do mundo materialista. Fala do poder da música e aconselha o jovem que quer ser músico. É preciso saber usar a posição de liderança de uma banda, aproveitando a oportunidade para passar, através de suas letras, temas que possam encorajar as pessoas de maneira positiva.

Para ele a mensagem de uma banda afetará a vida de outras pessoas e, antes de formar uma banda e escrever letras, antes de se tornar professor e instruir as pessoas de algum modo, o jovem deve se tornar uma pessoa pura; essa é a coisa mais importante para um músico, que, principalmente, deve ter um estilo de vida honesto e, depois, pode tentar mudar a vida das outras pessoas.

Fonte: Fashion Bubbles

Por Queila Ferraz Monteiro (com alguns comentários meus)

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06
Mar

Supersalários no Congresso Brasileiro

Fonte: youtube

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06
Mar

Miss Landmine

O concurso “Miss Landmine” é a trágica realidade de um povo mutilado pela guerra. O objetivo do evento é divulgar o problema das minas terrestres internacionalmente. O concurso foi criado em 2007 e se prepara para eleger, em Abril, a musa mutilada 2008.

Fonte: ovelhaeletrica

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29
Fev

O que é punk pra você?

 

O que é punk pra você? Faça esta pergunta para 20 pessoas e, provavelmente, você obterá uma resposta diferente de cada uma. Historicamente, o termo foi usado pela primeira vez em meados da década de 60. Era um termo usado para definir as pessoas que iam a shows do New York Dolls. “A primeira vez que escutei a palavra punk foi em 73 e era pra definir as pessoas que usavam roupas velhas, rasgadas e que estavam nos shows da banda”, diz Mykel Board, colunista da Maximum Rock’n’Roll, um dos fanzines mais respeitados do mundo sobre o tema.

O escritor e jornalista punk Mykel Board

Movimento de contra cultura? Estilo musical ou de vida? Para Marcos, guitarrista da banda Agrotóxico é isso e mais um pouco: “um estilo de vida autônomo e libertário associado com um gênero musical alternativo e independente”. Mas afinal, se ele nasceu como movimento cultural e virou estilo de vida libertário, como explicar tantas brigas, roubos e assassinatos causados por punks e tão explorados pela mídia recentemente? Para o pesquisador Carlos Venezysky, doutor em movimentos de Contra Cultura pela Universidade de Viena, o termo punk extrapolou conceitos. “O punk existe dentro de uma cena fechada, mas o termo foi totalmente engolido pelo capitalismo e qualquer adolescente se diz punk para se mostrar jovem e rebelde”, explica. “Para “a mídia, é algo violento, sujo e com nenhuma relação aos movimentos que levaram a forjar o termo”, complementa e ainda dispara: “é muito parecido com a deturpação para se falar em anarquismo, afinal, o que era para designar auto-gestão, virou sinônimo de baderna”.
Explicações à parte, desde o começo do mês, “punks” estão relacionados a assassinatos, roubos e brigas de gangues em São Paulo. Segundo notícias vinculadas na imprensa, mataram um ajudante de quiosque no Parque Dom Pedro (Folha de S. Paulo, 14/10). Segundo informações levantadas pela polícia, o assassinato ocorreu porque um casal “punk” queria sair sem pagar uma pizza encomendada. Roubo é punk? Há também a notícia de uma briga entre integrantes do “movimento” com skinheads (Folha de S. Paulo, 23/10). Brigas assim acontecem desde a década de 70. Ideais libertários de um lado e de nacionalismo e segregação do outro. Violência é punk?
O que mais chama atenção disso tudo, que inclusive serviu de tema para um debate na Rede Record de televisão na madrugada de 23 de outubro foi o espancamento de um adolescente por outras 20 pessoas que, claro, se denominavam punks. Dentre estes, alguns tinham nos bolsos flyers e folhetos de um encontro do movimento dia 11 de novembro, no teatro municipal? Eles estavam saindo de um show no Hangar 110 e, além do ato covarde, ainda roubaram o tênis da vítima, que segue internada em um hospital. Espancar e roubar são atitudes punk?
Pobre do Hangar, monumento da cultura paulistana, casa que sempre abriu suas portas e ajudou bandas a se desenvolverem no país. Viu seu nome refletido em vários lugares, sem ter a culpa de nada. Até porque o incidente ocorreu a duas estações do metrô de distância. Deturpar e prejudicar alguém é punk?

Jay Bentley, baixista do Bad Religion

“Tudo era mais simples quando o punk era algo pequeno, quando as pessoas se preocupavam com mensagens de mudanças, paz e com a cultura em si”, diz Jay Bentley, baixista do Bad Religion. “Punk pra mim é meu pai, que trabalhou a vida inteira pra ganhar pouco e depois de aposentado ainda recebe uma merda de salário”, diz Brek, baterista do Mukeka di Rato.
O punk começou na sarjeta, foi rotulado e roubado por bandas que atingiram o mainstream na década de 90 e hoje, assim como foi na década de 80, se perde entre violência sem sentido e jovens esteriotipados que se escondem atrás de gangues para suprir alguma carência. E pra você, o que é punk?

João Veloso Jr., 31, é jornalista, consultor de comunicação, baixista e acha que o punk é muito mais um movimento político e cultural do que essa bagunça generalizada.

 

do artigo: “Microfonia - Punks matam em São Paulo?”
por: João Veloso Jr

Fonte: www.zonapunk.com.br

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28
Fev

Converse Faz Anuncios Com Mitos Do Punk

E a putaria continua, depois de todo o rebuliço causado pelos anuncios da Doc Martens que expunham gente como Sid Vicious e Kurt Cobain em seus anuncios, agora é a vez da Converse entrar no jogo. A marca que fabrica o tênis All Star e é subsidiária da tão idolatrada e capitalista Nike, criou novos anuncios envolvendo ícones punk.

Ian Curtis (Joy Division)

Ian Curtis (Joy Division)

Sid Vicious (Sex Pistols)

Sid Vicious (Sex Pistols)

Fonte: www.zonapunk.com.br

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28
Fev

Iraque

o que anda acontecendo….

fonte:www.gardenal.org/trabalhosujo

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26
Fev

Manual Prático de Delinqüência Juvenil

 

FNORD

TERRORISMO POÉTICO
ARTE SABOTAGEM
TEATRO SECRETO
RELIGIÕES LIVRES
CONCEITOS DISTORCIDOS
IDEOLOGIAS SAQUEADAS
PIRATARIA DE IDÉIAS
SABOTAGEM CULTURAL

Prólogo 1

Panfletagem Subliminar

Nada é verdadeiro, tudo é permitido
Leia o texto & mexa sua bunda gorda

Estamos em Território Inimigo & o Inimigo está em nós. A primeira Grande Batalha contra o Império deve se dar dentro de Nossas Cabeças.

Libertar nossa imaginação. Poderosos Feitiços Publicitários iludem nossos Desejos mais Puros, Belos & Loucos. Mau Olhado Policial que aprisiona nossa Espontaneidade Selvagem. Engodos Geopolíticos, Castração Gramatical contendo nossa linguagem transgressora.

As raízes do Poder Total do Império estão em nossa psique e regem nosso cotidiano.

O Assustador Buraco Negro do Poder que tudo absorve & que tudo subverte & que lucra zilhões com a revolta dos Pobres Formigomens, tristes Ibus declamando discursos libertários para um Céu de Concreto.

Os Protestos & Discursos não devem mais ser Espalhafatosos & Coniventes com a lógica do Espetáculo & da Mídia.

Devem ser em Silêncio & Invisíveis: SUBLIMINARES.

Uma Terrível Conspiração agindo no subconsciente das pessoas.

O Novo Ativismo Global encontra-se num beco sem saída: A “Geração de Seattle” encontra-se presa à sua própria mitologia. Os protestos contra a guerra não deram em nada. Os tanques nas avenidas de Bagdá são um Triste Retrato de uma derrota precoce.

Precisamos de Novas Táticas. Teatro Secreto. Loucos Subversivos agindo na calada da noite. Vândalos & Bárbaros criando Novas Situações que arrebentem as correntes da Realidade Consensual.

Panfletagem Aleatória despertando Estranhos Atratores numa caótica sociedade fragmentada
“Tornai-vos Invisíveis
Nada é Real—–Tudo é Permitido

Bárbaros Invisíveis que Nada Respeitam Vândalos que fodem com o Cotidiano (mas que devem, impreterivelmente, Gozar Dentro)“.

Comícios em forma de Jogos Secretos. (experimente fazer um comício em que as pessoas nem desconfiem tratar-se de um comício: PANFLETAGEM SUBLIMINAR).

Terrorismo Postal & Sabotagem Ideológica (Santo Hakim), mas lembre-se que a Segunda Grande Batalha se dá no campo da Semântica Corrompida. Aproveite que o Demônio está embriagado com seu Vinho Do Poder & que os Magos não estão do lado do Império.

Faça seu Ativismo Secreto & suas Loucas Conspirações e no mundo real: seja um Delinqüente, Inconseqüente & Demente.
—-Delinqüente (por causa do estupro do espaço).

—-Inconseqüente (por causa do estupro do tempo).

—-Demente (por causa do estupro da linguagem).

Panfletagem Subliminar Já.

Prólogo 2

A Balada da Nossa Geração

Somos Muitos & Faremos Muito Barulho

Ironia, cinismo e sarcasmo são nossas armas.

Somos Infantis, Mal Educados & Alienados, somos tudo o que o atual meio libertário mais odeia.

Nós escutamos o som alto sempre que isto nos convém. Achamos que se o vizinho velho morrer de brabo com a altura do som, é porque já era a hora dele.

Nós não bebemos água e não limpamos as unhas.

Nós não temos o costume de lavar as mãos antes das refeições, a menos que elas estejam sujas. E só nós mesmos temos condição de saber o que significa sujeira para nós.

Nós não temos carro, só pra pedir carona & roubamos o que temos vontade sempre que possível.

Queimamos out-doors & Jogamos Merda nos bancos.
Somos anti-éticos & Despudorados. Somos Rebeldes & Não temos causa alguma além de nos divertirmos e nos sentirmos livres.

Estamos pouco nos importando com o fato de estarmos destruindo uma propriedade privada. Isso é apenas vandalismo, nossa mais bela manifestação artística.

Goze sem entraves

Seja realista, exija o impossível!

Nada é verdadeiro, tudo é permitido.

Todos os direitos desta obra reservados à

Humanidade

 

Leia mais: (DOWNLOAD) www.badongo.com/file/1509091

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26
Fev

Cultura Útil

Força bruta

Stooges, protopunk e cena paulistana de roque, pra capa de uma Rockpress das antigas.***Stooges contra tudoAlgo aconteceu no final dos anos 60. Uns culpam conjunções astrais, outros a era de ouro do capitalismo - o certo é que os hormônios da sociedade ocidental estavam em plena ebulição, uma menopausa às avessas que o planeta parece sofrer de cinqüenta em cinqüenta anos. A guerra do Vietnã servia de pretexto para uma geração inteira abandonar as regras impostas por seus pais e professores e descobrir formas próprias de cair fora do sistema. Os movimentos feministas e pró-direitos civis ganhavam força em nível mundial, ao mesmo tempo em que a América Latina sucumbia a seu período de ditaduras militares. A África vivia o ápice do processo de descolonização enquanto alunos matavam pais e professores com respaldo de Mao, na China. Tempos difíceis e interessantes, o mundo caía em uma dicotomia que abriu uma vala entre duas ideologias políticas e dois modos de vida, tendências cujas seqüelas ainda sofremos até hoje.Mas os Stooges não se importavam. Para eles, era pouco. Como se as mudanças que o mundo atravessava fossem mais uma pequena amostra do poder de transformação do que uma mutação definitiva. As coisas ainda estavam inteiras, a raiva ainda estava contida, o máximo que víamos eram duelos entre estudantes e polícia, pouquíssimos contra-atacaram com a mesma violência do sistema. Faltava destruição. Com o mundo dividido em dois, quase toda intelectualidade migrou para o lado não-capitalista da disputa - mas poucos pegaram em armas. Muito foi dito e escrito sobre os anos 60, mas foram poucos que foram lá e deram o próprio sangue.

James Osterberg não havia dado sangue até a metade de 1966. Até então, apesar de considerado um dos melhores bateristas entre a turma de adolescentes da minúscula Ann Arbor, subúrbio de Detroit, no estado americano do Michigan, ele ainda era um moleque comportado, que estudava para as provas, vestia-se bem para paquerar as garotas e morava com seus pais num trailer. Foi a música quem o obrigou a entrar em contato com os irmãos Asheton (Ron e Scott) e seu amigo Dave Alexander. Estes três tocavam em diferentes bandas da cidade e eram conhecidos na vizinhança por sua fama de arruaceiros - quando ser roqueiro significava andar fora da linha. Em 1965, Scott e Dave venderam suas motocicletas e foram para a Inglaterra, “ver os Beatles em Liverpool”. Não deu certo, mas assistiram a shows memoráveis, como o único show do Who no Cavern Club. Vendo a excitação dos ingleses e a facilidade que eles tinham para fazer músicas e shows, os dois voltaram para o meio-oeste americano prontos para montar sua própria banda.

O mesmo havia acontecido com James, que saiu de Ann Arbor em 66 por recomendação do guitarrista Mike Bloomfield, que o baterista tinha ido adular após um show da Paul Butterfield Band em Detroit. Conhecido por Iggy por ter mantido o apelido de sua antiga banda (The Iguanas), ele foi para Chicago encontrar o verdadeiro blues. Passou a percorrer a periferia barra-pesada daquela cidade, onde era o único branco a freqüentar os shows. Mas logo havia percebido o melhor daquela música - deixar que ela saísse naturalmente, como a extensão natural de seus sentimentos.

Foi um baseado fumado às margens de uma estação de tratamento de esgoto que fez com que Iggy visualizasse seu futuro. “O lance é tocar meu próprio blues simples”, pensou enquanto experimentava maconha pela primeira vez, sozinho. Maquinava aquelas idéias quando foi ao primeiro show dos Doors em Detroit. Na platéia, a multidão só queria ouvir a banda que havia gravado “Light My Fire”. No palco, Jim Morrison cantou o show inteiro em falsete, provocando a platéia. Iggy não se aguentava, Jim fazia o que ele achava que devia ser feito, confrontava o público ao mesmo que o seduzia. “Se esse cara pode fazer isso, eu também posso”, pensava enquanto sorria vendo o grupo à sua frente, “E tenho de fazer agora, não posso esperar!”

Quando Iggy encontrou os irmãos Asheton, a explosão foi imediata. Tudo que eles queriam fazer era liberar aquela energia adolescente confrontando o público, despejar o triplo de vibração que sentiam com mais agressividade e violência. “Vamos por Dave Alexander pra tocar baixo, eu pego a guitarra e meu irmão toca bateria em qualquer coisa que dermos pra ele”, disse Ron Asheton, que logo perguntou o que Iggy faria. “Não se preocupem: farei algo”.

Quando encontraram Iggy, ele estava com as sobrancelhas raspadas, papel alumínio na cabeça e vestido num enorme macacão branco. Os irmãos Asheton começaram a rir quando o viram e lembraram de um vizinho chamado Jim Pop, um débil mental que raspava os pelos do rosto. Entre risadas, começaram a chamá-lo de Iggy Pop. Pegou.

Horas depois, estavam no palco do Grand Ballroom, em Detroit. Um ruído insuportável saía das caixas de som antes mesmo da banda subir no palco - era um liquidificador plugado na mesa de som. Logo depois, deram início a uma rotina de destruição cênica e sonora que se tornaria clássica com o tempo. Ron Asheton tocava sua guitarra ao lado de um aspirador de pó, que grudava no microfone sempre que largava seu instrumento. Iggy sapateava sobre uma tábua de lavar roupa devidamente microfonada, enquanto Scott martelava (literalmente) dois enormes galões de óleo. A grande maioria do público odiou aquilo e Iggy vomitava sua raiva incontida sobre aqueles que ficaram para vaiar. Entre os poucos felizes com aquilo estava o líder hippie John Sinclair, que mais estava cooptando outra banda de Detroit (o MC5) para clamar sua revolução à americana:

“Era uma porra tão real que era simplesmente inacreditável. Iggy não se parecia com nada já visto. Não era como uma banda, não era o MC5, nem Jeff Beck, como não era coisa nenhuma. Iggy criou um número hipnótico psicodélico como pano de fundo para suas palhaçadas na linha de frente. Os outros caras eram literalmente escadas (stooges) para suas palhaçadas. Eles apenas deixavam aquele tremendo zumbido rolar, como compassos dementes. Estavam tão perto da música do norte de África quanto do rock. E lá estava Iggy, dançando como se Esperando Godot tivesse virado um balé. Ele não era Roger Daltrey, se você entende o que eu digo”.

Danny Fields, o maluco que a gravadora Elektra contratou para descobrir novos talentos, também ficou impressionado com o primeiro show que viu do grupo: “Era 22 de setembro de 1968. Não posso minimizar o que vi no palco. Nunca tinha visto ninguém dançar ou mover-se como Iggy no palco. Nunca tinha visto tanta energia atômica vindo da mesma pessoa. Ele dançava movido pela música, como são os grandes dançarinos. Era a música que eu havia esperado minha vida toda para ouvir”.

Fields conseguiu um contrato para o grupo após Iggy Pop mandá-lo pastar quando foi procurá-lo atrás do palco. Não que Pop rejeitasse a idéia de um contrato - simplesmente não acreditou que aquele sujeito fosse de uma gravadora. Quando o dono da Elektra, Jac Holzmann, os chamou em sua sala e perguntou se eles tinham material para compor um álbum, a resposta foi positiva. Mas era mentira - tinham apenas três músicas próprias e compuseram o resto do primeiro álbum no final daquele dia.

Stooges, o primeiro disco do grupo, foi gravado por John Cale por indicação de Danny Fields. Cale havia acabado de sair do Velvet Underground e Fields deu-lhe a oportunidade de fazer algo ligado ao rock, já que este parecia disposto a voltar à música de vanguarda. Quando o grupo começou a tocar no estúdio, com amplificadores no último volume, Cale acabou com a alegria do grupo. Não dava pra gravar daquele jeito e os Stooges ficaram putos com ele. Apesar da negação, Cale queria que o grupo soasse alto e sabia que este recurso se consegue com uma boa produção - tocar ao vivo no estúdio não funcionava, fazia o som soar capenga. A contragosto, eles gravaram baixo. E o entusiasmo do grupo seguiu o volume. Por isso o primeiro disco do grupo não tem a energia que eternizada por sua reputação. Mas lá estão os clássicos: “I Wanna Be Your Dog” é o antiblues, pedindo pelo sofrimento; as monumentais “1969″ (”outro ano pra você e eu/ Outro ano sem nada pra fazer”) e “No Fun” são hinos à apatia de uma adolescência sem transformações; “We Will Fall” e “Ann” cambaleiam como gigantescas rochas que prenunciam uma avalanche e esta vem com “Little Doll”, “Not Right”, “Real Cool Time”…

Mas o impacto do disco de estréia não seria sentido no vinil. Em sua primeira turnê, o grupo definiu o limite que o grupo tinha frente ao excesso: nenhum. Ao ir para Nova York, tudo estava perdido. Uma platéia de intelectuais e foras-da-lei foi seguidas vezes aos quatro shows que o grupo deu em sua estada na metrópole. Lá, tinham tudo à disposição: mulheres, drogas, bebidas, moral e dinheiro.

A colisão do pequeno grupo caipira com o bas-fond nova-iorquino foi fulminante. Na primeira apresentação, Iggy entrou no palco e vomitou na platéia. Na segunda, jogou-se sobre o público e caiu sobre Johnny Winter, que estava ao lado de Miles Davis. Este riu à beça da performance do grupo e convidou-o para cheirar uma montanha de cocaína em seu apartamento, para depois sair por Nova York elogiando o trabalho do grupo. Iggy atirava coisas na platéia, que atirava de volta. Ácidos, baseados e picos davam lugar às refeições. Era o caos.

Mas a recepção era boa - coisa que não aconteceu quando o grupo continuou sua turnê. Na maior parte dos lugares em que tocaram, o público em geral reagiu mal e quase sempre os shows acabavam em confusão - vários em briga, a banda no braço com o resto da platéia. Ao mesmo tempo, iam se envolvendo com heroína. Mas era Iggy quem fazia a diferença - lambuzava-se de pasta de amendoim e jogava-se sobre o público, cobria-se de tinta, vomitava, rolava sobre cacos de vidro, comia hamburgueres de boca aberta, deixando pedaços de carne mastigada rolar pelo peito nu. E ameaçava o público. Xingava, provocava, puxava para a briga, entrava na platéia socando, misto de mosh com pogo antes dos dois terem sido inventados.

Para o segundo disco, Funhouse (batizado em homenagem à casa em que moravam), não havia outra forma de gravação - o grupo estava tão destroçado que só conseguia tocar como se fosse um show. Convocaram o saxofonista Steve McKay para tapar os buracos de algumas canções e gravaram tudo ao vivo. Para a produção, foi chamado o mesmo Don Gallucci que assistiu os Troggs gravarem “Louie Louie”. O disco abria com a brutal “Down on the Street”, que não esperava nem um minuto inteiro para explodir o som rumo ao espaço. Tudo caía aos pedaços, como escombros após uma explosão - mas com a firmeza e pulso característicos do rock’n'roll. “Loose”, “T.V. Eye”, “Dirt”, “1970″, “Fun House”, até a apocalíptica “L.A. Blues”, que destroçava o resto de música que existia no disco ao elevar o sax de McKay aos limites ignóbeis do free jazz.

Depois disso, o grupo acabou. Foi dispensado pela gravadora (mesmo com o próximo disco - Raw Power - composto), caçado pelo imposto de renda, pela polícia e por um grupo de traficantes com que Scott havia se metido. Após um acidente com um caminhão que destruiu uma casa, uma ponte, o caminhão e todo equipamento alugado pela banda, entraram numa paranóia sem limites e transformaram a antiga funhouse num bunker antimotoqueiros. Com o dinheiro da venda de drogas, compraram armas pesadas e ficaram à espera de inimigos que não vinham. Com aquela quantidade de armas e nada pra alvejar, destruíram a própria casa com tiros de grosso calibre.

Com o fim, o grupo tornava-se uma lenda. Mas não havia mais para onde ir. O dia seguinte da primeira vinda dos Stooges não deixou pedra sobre pedra e o grupo não teve outra opção senão voltar para suas próprias casas. Na formação, um racha: Dave Alexander havia sido demitido por Pop depois de uma balada baixo astral. E um elemento alheio havia se infiltrado na cúpula do grupo - James Williamson é descrito como “uma nuvem negra baixando nos Stooges” pela irmã dos Asheton, Kathy. O que, em se tratando do grupo, só tinha um sentido.

Mas a sorte continuava sorrindo para eles quando David Bowie os descobriu do outro lado do Atlântico. Começa a ser um nome de sucesso, devido às suas entrevistas francas e hits comportados, mas ele queria mais. Através dos discos dos Stooges e do Velvet Underground, Bowie descobriu uma América do contra, um submundo de perversão e corrupção que parecia ser o único lugar que permitiria (como mais tarde permitiu) a melhor música daquela época existir, num país careta daqueles. E o imaginário de sexo, drogas e destruição que tanto Iggy Pop quanto Lou Reed descreviam em suas canções era perfeito para uns bons meses de farra.

E assim aconteceu: Bowie foi para os Estados Unidos, catou Iggy e Lou, e resolveu se esbaldar. No meio da baladaça, perguntou se Iggy queria reformar os Stooges e James Williamson deu seu jeito de entrar na história, armando um disco gravado na Inglaterra. Todos estavam tão chapados de todas as formas que Iggy esqueceu de avisar aos Asheton, que vinham acompanhando toda a zona desde o começo. A chegada de Bowie à América causou um tipo de comoção às avessas, uma vez que a parte suja dos Estados Unidos que queria deslumbrar o astro inglês com aquilo que ele vinha procurar - fartura de realidade e reputação junto à rua.

Iggy e James voaram para a Inglaterra, onde, depois de tentar várias músicos, chamaram os irmãos Asheton para o baixo e a bateria. Assim, gravaram Raw Power, que teve seu som “amaciado” por David Bowie na mixagem (uma versão recente, com o dedo de Iggy Pop, corrigiu esse erro). A sonoridade dada por Bowie tirou todo poder de ataque do grupo ao vivo, que voltava a se equilibrar perto do fim. Uma turnê em Los Angeles fez com que o grupo instalasse morada na capital do excesso, uma combinação ingrata. Ninguém mais suportava os Stooges e seus shows iam ficando cada vez mais sem limites. Agora era a platéia quem encarnava a violência de Iggy, com resultados catastróficos.

O último show do grupo aconteceu em Detroit, em 1974. Uma gangue local os havia jurado de morte e o show começou com uma chuva interminável de pedras e garrafas. Iggy sequer se intimidava, gostava do clima pesado: “Alguém tem mais cubos de gelo, ovos ou granadas que queiram tacar no palco? Vocês pagaram, agora agüentem. Vamos ouvir o cantor. Eu sou o melhor… Obrigado pelos ovos. O que eu ganho se juntar uma dúzia de ovos? Ouçam, eu jogo ovos melhor que vocês. É hora das garotas do tumulto? TUMULTO. Me dá uma toalha pra eu tirar essa gema. Eu não quero que me vejam com gema na cara. Oooh baby. C’mon mama… Lâmpadas também? Copos? É, estamos ficando violentos… Tem dois subindo no palco. Temos que sair. Vejo vocês depois”. Quando um sujeito começa a esmurrar Iggy no palco. O cara sai, Iggy pega o microfone, todo fudido, e diz que, depois dessa, o público merece uma versão de 55 minutos de “Louie Louie”. E isso está tudo em disco, no pirata Metallic K.O.

E assim o grupo acabou. Mas seu legado apenas começara. Em Nova York, seguidores fiéis compactavam seu som e misturavam com rock bubblegum dos anos 50 - eram os Ramones. Em Londres, eram citados por ninguém menos que os mestres da revolução, quando os Sex Pistols cantavam “No Fun”. Iggy Pop era tratado como uma lenda viva do punk, mas foi para Berlim no auge do movimento gravar discos solos com David Bowie. Iggy conseguiu se equilibrar entre o showbusiness e a sarjeta, limpou-se de vez no começo dos anos 90 e hoje continua firme. Os Asheton montaram um New Order antes do homônimo grupo inglês que não vingou e mais tarde Ron assumiria as guitarras do Destroy All Monsters. De vez em quando aparecem em discos dos outros, como convidados, mas vivem uma vida mais normal que a sua. A última aparição de um deles foi quando Ron gravou “T.V. Eye” para a trilha de Velvet Goldmine, ao lado de Mike Watt, Thurston Moore, Don Fleming e Mark Arm, todos discípulos fiéis dos Stooges.

***

PROTO-O QUÊ?
Clash, Ramones, Buzzcocks, Joy Division, Sex Pistols, X, Jam, Television, Fall, Cars, U2, Black Flag, Wire, Hüsker Dü, UK Subs, Suicide, Blondie, Dead Kennedys, Smiths, Echo & the Bunnymen, Richard Hell & the Voivods, Talking Heads, B-52’s… Toda a geração de bandas que pode ser englobada no chamado período punk da história do rock (que agrupou diferentes tendências como punk, hardcore, new wave e pós-punk) não teria existido sem dez anos de barulho curtido no underground americano. Toda a cena faça-você-mesmo que explodiu com o punk e criou a “segunda via” do mercado de rock no planeta não aconteceria da mesma forma não fosse um punhado de bandas ilustres e diversas bandas anônimas de uma elite comportamental chamada de protopunk.

Quem mandou o automóvel ser a moeda corrente da primeira fase do capitalismo do século 20. Afinal, foi o primeiro supérfluo (transporte público serve pra quê?) a ser vendido como indispensável pelo mercado e, como tal, logo virou sinônimo de status. Aos poucos, a garagem se tornava cômodo indispensável em qualquer residência a partir dos anos 40. Mas com o declínio da economia americana nos anos 60, o carro logo foi o primeiro indispensável a ser descartado pela classe média americana, deixando milhares de garagens livres pela América. Logo, toda casa tinha uma sala de ensaio perfeita pra qualquer tipo de banda, recurso que até hoje é seguido, como um sacramento.

Seu uso efetivo começou com a invasão britânica. Depois que os Beatles oficializaram o rock como gênero inglês, dando oportunidade para vários jovens conterrâneos arqueólogos do blues americano entrar no mercado fazendo seu próprio som, o próximo passo desta ascensão seria entrar nos Estados Unidos. Quem vencesse na América, vencia no mundo e foram os Beatles quem deram o primeiro passo. Deram sorte: os Estados Unidos ainda não haviam se recuperado do assassinato de seu querido presidente JFK quando os cabeludos ingleses desceram por lá. Com a Beatlemania, todas as bandas de rhythm’n’blues inglesas migraram para os EUA, na vã tentativa do sucesso. Todas elas emplacaram ao menos um hit e constituiriam, mais tarde, a primeira geração da era de ouro do rock.

Como reza a terceira lei de Newton, a chegada dos ingleses provocou um verdadeiro chamado às guitarras na terra do Tio Sam. Foi quando adolescentes por todo país montaram suas bandinhas e foram em direção às paradas. A grande maioria trombou no mínimo sucesso e uma parte deste grupo emplacou dois ou três hits no resto do país. Tocando guitarras sem muita técnica e com muito barulho, bandas como Sonics, Troggs, Kingsmen, Seeds, Music Machine e outras semidesconhecidas cruzaram os Estados Unidos sobre um único hit, transformando suas apresentações em festas explosivas de energia juvenil. Mais que as apresentações inglesas, os grupos americanos tinham uma identidade imediata com o público e cada vez mais gente se empolgava a pegar uma guitarra. Para estes, uma geração bastarda da cruza da surf music com o rock inglês, “Louie, Louie” era o hino.

Foi exatamente no meio dos anos 60 que várias diferentes correntes do mercado musical se encontravam: a Beatlemania se esgotava e os próprios Beatles procuravam outros artifícios sonoros, a música folk saía imediatamente de moda - primeiro pela debandada de Bob Dylan para o rock, depois pelo surgimento do então novíssimo folk rock -, a técnica passaria a ser quesito indispensável em qualquer músico, a psicodelia transformava a cabeça de jovens londrinos. A quantidade de grupos que nasceram neste período é incomensurável e os nomes (Chocolate Watch Band, Jefferson Airplane, Captain Beefheart & His Magic Band, Grateful Dead, Doors, Frank Zappa & the Mothers of Invention, 13th Floor Elevators) ajudavam todas a confundir-se entre si.

Três bandas distinguiam-se radicalmente das outras. A primeira delas, o Velvet Underground, era fruto do encontro de Lou Reed com John Cale, dois jovens estudantes de vanguarda dispostos a quebrar convenções impensáveis de seus meios. Reed vinha da literatura, cantava a marginália de forma suntuosa e fazia bicos em gravadoras, compondo músicas bobas de amor para grupos de doo-wop. O galês Cale vinha da música contemporânea, músico prodígio desde menino, foi para Nova York estudar com os grandes mestres da nova música, como John Cage, LaMonte Young e Cornelius Cardew e queria flertar com o lado feio da música pop. O casamento dos dois gênios era explosivo e completado pela microfonia indomável de Sterling Morrison e pelo metrônomo unissex chamado Moe Tucker dava origem a um turbilhão sonoro sem precedentes até então. Barulho, melodia e vanguarda são dispostos lado a lado e tratados da mesma forma. Apadrinhados por Andy Warhol, tiveram que gravar um álbum com a cantora húngara Nico, que nunca realmente pertenceu ao grupo. The Velvet Underground and Nico, de 1967 (o disco da banana), é obra fundamental em qualquer estante de amantes de música popular moderna. O disco seguinte, White Light/ White Heat, trazia um turbilhão de ruído nunca ouvido antes em disco, um amálgama de ritmo e barulho que destruía o chão a cada pisada. Os dezoito minutos de dois acordes que arrastavam-se por Sister Ray, populados por uma orgia de travestis e marinheiros entupidos de heroína, falam por todo disco.

A saída de Cale levou o barulho para longe do Velvet. Com Cale, o lado erudito contemporâneo de destruição da música era posto de lado em favor do artesanato pop praticado por Lou Reed, que assegurou o repertório do grupo por outros dois discos e anos. John Cale saiu do Velvet a contragosto e resolveu despejar aquela raiva em sua carreira solo - o que incluía seu trabalho como produtor. Foi ele quem comandou as primeiras sessões em estúdio do segundo grupo desta leva de desajustados. Os Stooges de Iggy Pop aceitaram ser produzidos por um músico metido da cidade grande, que logo os impôs às limitações do estúdio - onde uma grande banda de palco pode soar meia-boca. As gravações soam cansadas, mas qualquer pirata do grupo naquele 1969 (“Outro ano sem nada pra fazer”, resmungava Pop) traduzia o dínamo autodestrutivo que era o grupo.

No palco, ninguém pegava os Stooges. Suas apresentações levavam o conceito de caos aos limites do possível, com o grupo colidindo de frente com a platéia, através do som e da fúria. Cuspindo as vísceras artísticas pra fora, os Stooges eram um atentado aos bons modos que o rock de sua época acabava parecendo, seja a piromania de Jimi Hendrix ou o quebra-quebra do The Who. Ao lado dos Stooges, na mesma cidade, um terceiro grupo completava a linha de frente do proto-punk. Erguendo a bandeira da desordem como nova religião, o MC5 (o quinteto da Motor City) era o lado mau dos Rolling Stones, o que Jagger e cia. diziam ser. Citando referências tão diferentes quanto Nat King Cole e Sun Ra, o grupo encabeçava o movimento Panteras Brancas, do ativista político de araque John Sinclair, um hippie que preferia disfarçar suas verdadeiras intenções numa bandeira política. Mas para o MC5 não havia disfarce: ele explicava com todas as letras seu intuito - sexo, drogas, rock’n’roll e nenhum outro motivo, o prazer e a diversão ficavam em segundo plano em relação ao excesso. “Irmãos e irmãs!”, berrava o cabeludo Rob Tyner como pastor de uma nova religião. Wayne Kramer e Fred “Sonic” Smith (que mais tarde casou com Patti Smith) grunhiam em resposta, ao mesmo tempo que Dennis Thompson e Michael Davis empurravam o ritmo com bateria e baixo. Um disco gravado ao vivo - Kick Out the Jams - é o melhor registro da truculência do ROCK (com maiúsculas) do grupo.

Com os anos 70, todos pasteurizaram seu som - o MC5 lembrava um grupo hippie tocando clássicos do rockabilly em Back to the USA, os Stooges pareciam escondidos embaixo dos escombros graças à mixagem de David Bowie em Raw Power e o Velvet Underground gravou uma coleção de hits radiofônicos batizada de Loaded. Os três grupos logo acabariam, mas seus estilhaços podem ser sentidos em duas outras bandas - os New York Dolls e os Modern Lovers.

As duas eram opostas como dia e noite. Os Dolls vinham de diversas bandas de Nova York que só queriam farra. Vestidos de mulher, David Johansen, os guitarristas Johnny Thunders e Syl Sylvian, o lendário baixista Arthur Kane e o baterista Billy Murcia, tomaram o subúrbio da capital do mundo de assalto, com uma resposta suja e grotesca ao glam rock inglês. “Tanto em tão pouco tempo” era um dos lemas do grupo, que batizou o primeiro disco. A sonoridade era mais rock’n’roll do que propriamente punk rock - o groove da banda saía do mesmo lugar do dos Rolling Stones -, mas a altura do som e a presença de palco do grupo antecipavam o gênero que começava a borbulhar. E o picareta inglês Malcolm McLaren assistia de perto - tanto que pegou os Dolls como empresário e os tentou transformar numa banda comunista (?), toda de vermelho, com uma bandeira da União Soviética ao fundo.

Ficando com a metade tímida dos primórdios do punk, os Modern Lovers de Johnathan Richman eram o extremo oposto dos Dolls. Com sua Stratocaster e sua insegurança ao encarar o palco, Richman só podia cantar canções como aquelas - “I’m Straight” (“Eu Sou Careta”), “Pablo Picasso” (“Pablo Picasso nunca foi chamado de cuzão, como você”) e “Hospital” (narrando a espera da namorada num pós-operatório). Com Jerry Harrison (futuro Talking Heads) e Chris (futuro Cars) na primeira e clássica formação de seu grupo, Richman transformava canções sem graça em hinos de rebeldia adolescente, culminando com o maior de todos, o clássico estradeiro “Roadrunner” (e seu refrão “Radio on!”). As primeiras demos, produzidas por John Cale, só apareceram como disco quase um ano de terem sido gravadas.

Logo depois, o sonar da música pop cairia em Nova York. Depois que o glam rock esvaziou-se em Londres e os hippies da Califórnia estagnaram nos montes de dinheiro dados por gravadoras, foi a vez de um grupo de moleques descobrir um velho bar de motoqueiros que funcionaria como bunker de toda uma geração. O CBGB’s funcionou de base para bandas como diferentes como o Television, os Ramones, o grupo de Patti Smith e embriões de bandas que mais tarde seriam o Blondie, o B-52’s, o Talking Heads, os Cars, os Heartbreakers, os Voivods. Aquele impulso garagesco tomou conta de uma cena que passou a despertar interesse primeiro da imprensa, depois das gravadoras. Com seus discos debaixo do braço, eles levaram seus shows para o outro lado do Atlântico e para a costa oposta dos Estados Unidos, fazendo as cenas londrina e angelena brotarem. O punk havia nascido.

***

Protopunk à paulistana
Nos subterrâneos do rock paulistano, uma cena caminha no limite entre o ritmo, o barulho e a psicodelia. Qualquer semelhança com Nova York no começo dos anos 70 não é mera coincidência…

Tá certo que São Paulo teve sua cena protopunk nos anos 60, mas ela era, no máximo, uma versão mais vigorosa da Jovem Guarda. A violência e a fúria que descambaram no punk no final dos anos 70 teve de ser importada do exterior para nascer no concreto paulistano. Mas se, na época, o protopunk não teve a brutalidade suficiente, uma geração amadurecida durante os anos 90 equilibra as mesmas doses de psicodelia, barulho e rhythm’n’blues que seus antecessores americanos.

No centro do furacão, um trio de veteranos com histórias para contar. Marquinho veio dos Pin Ups, onde tocou bateria em toda chamada “fase de ouro” do grupo paulistano, sobrevivendo ao caos de grito e desespero que foram os bastidores deste conjunto em seu auge. Adriano “µ” Cintra calvagou outro caos, o inferno ambulante chamado I Love Miami, cuja existência bizarra vale uma biografia à parte. Sandro Garcia pode ser considerado o pioneiro de toda essa geração. Convicto em ser mod, fundou os Charts e dentro deste foi descobrindo todas as diferentes vertentes desta geração. Todos abandonaram suas bandas na mesma época (1995, o ano da seca de bandas no país) e começaram a construir nova carreira no mesmo ambiente.

É quando começa a gravadora Ordinary, comandada por Marco e sua esposa Deborah Cassano, a Debbie, e assessorada por Adriano. Juntos, Marco e Adriano respondem por duas das bandas mais importantes da cena. De mesma formação (os dois nas guitarras e o baterista Rodrigo), as duas bandas diferem-se pela abordagem musical. Enquanto o Butchers’ encarna a mesma versão suja dos Rolling Stones que o Pussy Galore imaginou em seu Exile on Main Street, de 85; o Red Meat é o que os Afghan Whigs seriam se Greg Dulli trocasse estilo por culhões, explodindo soul e rock’n’roll em alta combustão. Adriano ainda responde pela one-man-rock-band Ultrasom, que ultrapassa referências pessoais para abraçar o papel de guitarreiro solitário, uma espécie de trovador rock’n’roll (no bom sentido).

Gravando em seu próprio estúdio (Ordinary Studios, claro, na garagem do casal ordinário), o núcleo lança discos com uma velocidade muito difícil de acompanhar, dando faixas e fazendo remixes de suas músicas para lançamentos semioficiais. Sandro acompanhou o crescimento da Ordinary de seu estúdio particular, o conhecido Quadrophenia. Logo, Ordinary e Quadrophenia criaram uma cena ao redor daqueles caras que falavam de bandas antigas obscuras e de novas semidesconhecidas - e que tocavam aquela sonzeira.

Sandro suspendeu as atividades dos Charts e passou a dedicar-se a dois projetos. O primeiro, ao lado do mitológico Plato Dvorák (uma mistura de Otto com um Syd Barrett gaúcho, fanático por bandas de garagem dos anos 60 e lenda-viva em Porto Alegre), chamava-se Momento 68 e funcionava muito bem enquanto cada um deles ficava em sua cidade. À primeira apresentação ao vivo, o temperamento profissional de Garcia e a inconseqüência psicodélica de Plato bateram-se de frente e logo depois a dupla estava desfeita. Sem banda para correr, Sandro apegou-se ao Momento 68 e montou uma banda com Gregor Izidro - dos Espectros - e Carlos Rodrigues, gravando de cara uma fita com suas referências: Troggs, Who, Pink Floyd do começo, Yardbirds, Otis Redding e Love. No outro projeto, ajudou Fábio Golfetti a ressuscitar o Violeta de Outono, facilitando o desenho da árvore genealógica para aqueles que não haviam entendido, assumindo o baixo (e Izidro, a bateria) da lendária banda psicodélica.

Fazendo o circuito Alternative (“Alternative NÃO!”, reclama toda a freguesia em uníssono, antes de ver que não há outra opção por perto)/Borracharia - duas casas de show em Pinheiros -, logo novas bandas começaram a agregar-se ao epicentro da cena “churly” - rótulo usado de forma irônica pelos integrantes do grupo, numa forma de ridicularizar qualquer tentativa de rótulo. A primeira delas, o Sala Especial, teria uma história à parte.

Uma das primeiras bandas brasileiras a assumir o espírito easy-listening, logo as raízes roqueiras do grupo vieram à tona, devido à influência da cena que se formava. Aos poucos, o Sala deixava de ser uma simples banda engraçada e instrumental para se tornar uma ótima banda de rock instrumental. Logo passaram a incluir soul e rock garageiro em seu cardápio de música francesa, Jovem Guarda e discos de teste de estéreo, e suas duas fitas - Aventuras Estereofônicas Volumes 1 e 2 - venderam mais de mil exemplares, sendo copiadas outras mil vezes Brasil afora. Um verdadeiro sucesso underground, amados igualmente por paulistas e cariocas (o que não é fácil). Com o terceiro volume de suas Aventuras já engatilhado (quem ouviu, prevê outro sucesso), o grupo encontra-se na encruzilhada que outros grupos instrumentais brasileiros já cruzaram: como fazer sucesso de verdade num país viciado em letras.

Margeando a cena, ainda temos uma cena psicodélica na Móoca, formada pelos Effervescing Elephant (que troca um guitarrista por um tecladista para tornar-se o Flaming Salt) e pelo Cedar Lunen; os já citados Espectros, fazendo a linha garageira mesmo, a la Troggs; e a banda oficial da comunidade psicodélica de Cidade Ademar, os Jerssons, um combo de música aleatória que ganha fama fazendo shows memoráveis em faculdades de filosofia e cidades do interior, convidando todos os músicos presentes a subir no palco.

Enfim, uma cena. Coberta por publicações (eletrônicas ou em papel) diferentes como Magazine (das organizações Ordinary), o recheado Lo-Fi, a revista Velotrol, o venenoso Buxixo (o filhote paulistano do Tupanzine) entre outros, ela faz com que o Brasil finalmente tenha uma geração protopunk de respeito - mesmo que mais de trinta após a geração original.

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